9 de junho de 2006

DIOR NÃO OUVIU SUA VIDENTE




Christian Dior, que virou lenda da alta-costura francesa, só assumia compromissos ou tomava atitudes se sua vidente, Mademe Delaye, aprovasse. Foi ela quem o ordenou a deixar a modesta função de desenhista da casa de Lucien Lelong e aceitar o desafio de Marcel Boussac, homem mais rico da França na ocasião e conhecido como o rei do algodão. Boussac queria Dior e o estilista estava irrequieto para romper com a silhueta feminina vigente na época. Juntou a fome com a vontade de comer. A Casa Dior abriu suas portas no dia 12 de fevereiro de 1947 e acabou sendo um marco importante naquele momento, reconduzindo a França à sua posição de capital da moda. Pela primeira vez um desenhista de alta-costura influía no gosto de mulheres ricas e pobres ao mesmo tempo. As que não podiam comprar seus vestidos, copiavam os desenhos.

Madame Delaye regularmente ia vê-lo e aprovava ou não suas decisões pelas cartas. Em 1957, obeso e adoentado, Dior programou uma viagem em Montecatini com suas famosas águas curativas. Nas cartas, sua adivinha teve um mau presságio.

– Você tem que abandonar seus planos de ir a Montecatini – insistiu ela. As cartas dizem para você não ir. Pela primeira vez ele não lhe deu ouvidos. Madame Delaye apelou a outros amigos para que não o deixassem ir, incluindo seu protegée Jacques Benita. Mas Dior estava decidido a ignorar qualquer advertência. Tomou o trem que o levaria à Itália. A viagem foi fatal, como havia augurado Mademe Delaye. Christian Dior morreu em Montecatini de um infarto fulminante, sem tempo de assistência, em outubro de 1957, tinha 52 anos. Sua morte repentina causou impacto em todo mundo da moda. Recebeu tantas flores que o governo francês permitiu que elas fossem depositadas no Arco do Triunfo.

Amaury Jr.

Um comentário:

filhote de lua disse...

Um comentário meio besta sobre dois posts antes...

Sou apaixonada por Frida Kahlo, e estava lendo com uma atenção imensa o que vc escreveu, pensando naquilo que sei dela, nos quadros que tenho na memória... quando me dou conta que a música no rádio também falava de Frida... algo com "cores de Frida Kahlo".

sincronicidades, né...