9 de julho de 2005

Vox et praterea hill


J M Calleja


O Nada veio antes de Tudo. Ou talvez o Tudo, cansado de não ser Nada, tenha ficado Puto.

Sei que existe uma relação intrínseca entre o Nada o Caos. O Nada é irmão gêmeo do Silêncio. Primo do Vazio no estômago, filho da Ausência. Amigo daquele namorado que sumiu.

O Nada é cheio de informações mas dá uma tremenda sensação de Oco.
De aniquilamento. Nadas adoram ser preenchidos, vasos cheios de vácuo.

Na Lingüística, o Nada pode dizer Tudo e o Tudo pode não dizer Nada - conclusão evasiva, tabula rasa.
Por que o Nada é masculino? Em defesa da criação do gênero Neutro em português.

Segundo a escola budista do Meio, a vacuidade do discurso uma vez realizada introduz à experiência inefável da natureza de Buda. O incriado.

O Nada tem seus adeptos acadêmicos - os filósofos e os astrônomos. Na paisagem, o deserto, o ermo. A Lacuna.

Dificilmente o Nada é insignificante, embora abstrato. Tem gente que acha o Nada charmoso. Prefiro me abster e deixar passar em branco.

Nonada é uma bolha d'água. Nada tem cheiro de segredo e de mais coisíssima nenhuma.

Fantasmas são almas nulas que não aceitam o Nada no Nenhures. Morto 360°.

Na Cabala, é En Soph; no tarot, O Louco, o começo e o fim.

Vox et praterea nihil

Çifa, ovo cósmico.
Zero.

In nubibus, nhecas de pitibiribas para todos,
Zoe

7 comentários:

Anônimo disse...

Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus

Believe on the Lord Jesus Chirst, and thou shalt be saved

Zoe de Camaris disse...

Perfeito. O próximo post será sobre A Torre, arcano XVI -A Ira de Deus.

Grata pela idéia, caro anônimo.

Meme disse...

Zoe,
eu concordo com ele. Toma tento e volta pra igreja, essa coisa toda tá te fazendo muito mal.
Ainda dá tempo, Zoe.
Fica com Deus.

Rodrigo d'Almeida disse...

Zoe,

A liberdade é. Isso basta, não?

Alegrias, poesias e amplexos poéticos.

Poeta Menor

Maria Tereza disse...

cheio pensava no vazio
tentei com as mãos agarrar
cheio pensava no vazio pra dar

besitos!

Anônimo disse...

Zoe
Amei!!! Esse texto com certeza não é pra todo mundo...Porque como alguém me disse uma vez:a maioria das pessoas nunca passa do estágio do carro.Seria como na Caverna de Platão, onde um homem consegue transcender a barreira entre os dois mundos, o mundo das sombras (que é o que vemos) e o mundo inteligivél. É claro que ninguém acredita nele, pq estavam todos muito seguros tomando as sombras como verdade. Talvez Deus seja bem isso até... o tudo e o nada, já que a alma pode ser.

Renato Perillo disse...

Inspirado no seu texto, batuquei aqui este poeminha:

Nadanu

Nada que se faça
Faça como que se nada
Nade nu, em nadágua
Nulo, sem nada
Solto, livre
Nágua nada

A tempo: adorei sua

Recolho o orvalho na língua/ Um dia depois de uma noite mais um dia/ Datas são datas que são datas que são datas/ De eras novas, mas ainda ... / Que o tempo conheceu, conhece e conhecerá. ( recrio suas palavras meclo meus sentidos )

Temperar é uma obra de exatidão. Mas de uma precisão plástica, movente, em andamento, em eterna moldagem: o preparo. Temperar acontece no tempo. Fala de demora. O ato de equilibrar dentro espelhado fora, proporcionalmente. Aí estão contidos o apaziguamento do díspar, o amálgama do diferente. A Justa Medida.

É possível suavizar. É possível apimentar. A avaliação pontual é ditada pela intuição de quem adquiriu o controle interno das sensações: o calor que protege, o frio que acalma.

( sou cozinheiro profissional, dou aulas de culinária naturalista... )

Você me é bela, charmosa e interessante! E o amor está ligado à beleza, como você diz. Penso que é a beleza vista por você, apreendida e desejada como tal. E, você, brilha como uma estrela na sua vida, com seus amores e suas matérias. Sem te conhecer, te toco e te agradeço.







Do Rio de Janeiro, te achei norteado pela minha curiosa vadiagem pelo orkut-caminho Katia Horn, Tereza Prado, você.

Espero que essas minhas palavras te tragam mais alegria e felicidade do que já te é vívido

Felicides!!

Renato