23 de julho de 2005

Um Oráculo ao Lula


This II Albus 1705 silver coin is the oldest dated coin I have
found with a metal detector. It also was found in a German
hay field back in 1987.

Bem, nem só de tarot vivem os homens e as mulheres. Tenho retomado meus estudos geomânticos e eu e o astrólogo João Acuio, meu companheiro (não de PT...!) montamos um mapa para o Lula. Aí está. Depois publico a imagem.


Um Oráculo ao Lula


No último dia 16 de julho, sábado, quando Saturno deu o seu primeiro passo na longa travessia sob as jubas do Leão, joguei a sorte para o Excelentíssimo Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Zoe, emergindo dos seus estudos de Geomancia, veio me cutucar para que fizesse uma pergunta ao oráculo. Queria testar o jogo. Uma verdadeira dádiva, já que me encontrava soterrado sob os céus de Lula, Brasil, PT, etc.

Perguntei:

- “Lula vai terminar o mandato? É deposto, reeleito? Como será? Qual o destino do governo Lula?”

Pensei no Presidente e comecei a jogar as pedrinhas. Depois de alguns sorteios e anotações, as seguintes figuras foram dispostas numa mandala de 12 casas astrológicas e 3 geomânticas, compondo o seguinte diagrama:

1. Albus
2. Rubeus
3. Puella
4. Carcer
5. Fortuna Maior
6. Rubeus
7. Amissio
8. Fortuna Maior
9. Conjuctio
10. Albus
11. Caput Draconis
12. Carcer

Testemunha do Passado: Rubeus
Testemunha do Futuro: Cauda Draconis
Juiz: Amissio

Quebra-cabeça montado, chegamos a seguinte avaliação:

Lula é Albus, isto é, a figura branca, pálida, colocada na casa 1 – a da imagem incorporada e percebida por todos. Albus na 1, aponta estabilidade, honestidade, pureza - de “cândido” (branco) deriva a palavra candidato. O eterno neófito. Tanto tempo concorrendo às eleições faz isso: apesar de Presidente eleito, Lula ainda traz em si a mácula do branco – a de eterno candidato.

Albus transfere-se para a casa 10, isto é, o Governo Lula, propriamente dito. Conclusão: Lula quer a reeleição.

No entanto, na casa 2 – a dos recursos e armas (aliados) – e na 6 – saúde e empregados, encontra-se a figura oposta a Albus, ou seja, Rubeus.

Rubeus é sangue, violência, febre, cólera. Na casa 2, benefícios irregulares e transações desastrosas. Na 6, inflamação, operação cirúrgica, febre, insolação, ameaça de roubo e ...rubéola.

Em outras palavras, a transmissão de Rubeus da 2 para 6, aponta o sangue, a guerra dos empregados por armas e recursos. Enquanto isso, Lula mostra-se pálido, puro, branco – Albus na casa 1.

Um detalhe importante: Rubeus aparece também como Testemunha do Passado - uma testemunha nada animadora, já que violenta e colérica. Muitos de seus aliados são, não só hoje como já o eram no passado, violentos e febris. E na equação geomântica testemunham contra.

Albus e Rubeus, Branco e Vermelho ou, de outra forma, o par puritanismo versus libertinagem. Nos seus extremos, um se torna o outro. Palidez anuncia explosão sanguínea. Prenuncia a congestão.

Muito congruente ao PT ético X PT lama. Ou à imagem de políticos sanguinários posando de puros imaculados.

O Vermelho se tornará Branco, o Branco se tornará Vermelho.

Puella na 3 – casa da comunicação, aponta uma fala superficial e pueril de Lula, enquanto candidato. Uma espécie de comunicação feita por uma menina adolescente. Aliás, perdemos um furo jornalístico. No dia seguinte deste sorteio, Lula dá uma entrevista na França para uma jornalista que, ao se dirigir ao Presidente, quebra o protocolo algumas vezes chamando-o de ‘Você’ - termo inadequado para se referir a um chefe de Estado. Puella na três também indica que as mulheres estarão dando com a língua no dentes.

Essa forma de comunicação continuará inalterada enquanto Lula se portar como candidato. Enquanto Governo, falará a voz de Carcer – a 3 da 10.

Na casa 4, está Carcer, isto é, uma morada abaixo do solo – o porão. Carcer na 4, casa do veredicto do evento, aponta desapontamento, tristeza dentro de casa, melancolia, sentimentos trancados, memórias presas.

Carcer é uma figura de prisão e ela se encontra também na 12, o que nos faz concluir que Carcer na 12 é a prisão dentro da prisão.

A Casa 4 é a oposição ao governo Lula, já que está oposta à 10, a do governo. Carcer aponta que a oposição está bloqueada, embora concentrada. Há muita coisa escondida que jamais saberemos, já que Carcer se transfere para a casa 12, ocultando ainda mais o que acontece nas entranhas do Brasil.

O Vermelho se tornará Branco e o Branco se tornará Vermelho.

Na casa 5 e na 8, temos a figura da Fortuna Maior, o que nos faz mudar de tom.

Essa transmissão, da 5 para a 8, somado a Caput Draconis na 11 – a dos amigos - anuncia o retorno de alguém muito esperado e querido por Lula. Alguém afastado a longo tempo e, provavelmente, morando fora do país.

Um amigo bom de longe vem.

Essa pessoa será decisiva para o destino político do Lula e do Brasil.

Na Casa 7 encontra-se a figura de Amissio, isto é, A Perda. Ora, a casa 7 é a casa dos parceiros e inimigos declarados. Amissio nesta posição é uma punhalada nas costas – traição. Os parceiros, PT, e base aliada, tornaram-se inimigos declarados, já que o ataque à sua imagem e destino político vem daí. Os inimigos não são ocultos, é o que queremos dizer.

E na casa 9, Conjuctio – figura positiva e afirmativa da diplomacia e boas relações com o estrangeiro, firmando e consolidando pactos. Aqui há um ponto de força.

Em uma das casas geomânticas, a Testemunha do Futuro, temos Cauda Draconis. Essa posição diz respeito ao futuro da escolha. A Cauda do Dragão diz:

“A perseguição do objeto desejado acarreta o risco de uma catástrofe geral.”

No início, o espelho comprou a alma da terra, agora a alma da terra quer comprar o espelho.

Se Lula insistir na reeleição, perde o governo. E, muito pior, o vermelho será derramado por todo o país.

Caso escolha terminar o governo, assumindo a figura Albus, isto é, a função Q-Boa, Cândida
(outro nome para água sanitária), de Albus, pálido, se tornará, Rubeus, vivo.

Independente da sua escolha, o expurgo será concluído, já que o Juiz do sorteio é a figura Amissio – A perda, ocupando também a do agressor – casa 7. Os venenos vazarão sob o ritmo acelerado do inimigo-declarado.

O Vermelho se tornará Branco e o Branco se tornará Vermelho.

O fogo que devora. O fogo que endurece. O fogo que consome.


Aglomeração.

Pigmentação.

Encontro e desenvolvimento.

O banho.
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texto de João Acuio e Zoe de Camaris

9 de julho de 2005

Vox et praterea hill


J M Calleja


O Nada veio antes de Tudo. Ou talvez o Tudo, cansado de não ser Nada, tenha ficado Puto.

Sei que existe uma relação intrínseca entre o Nada o Caos. O Nada é irmão gêmeo do Silêncio. Primo do Vazio no estômago, filho da Ausência. Amigo daquele namorado que sumiu.

O Nada é cheio de informações mas dá uma tremenda sensação de Oco.
De aniquilamento. Nadas adoram ser preenchidos, vasos cheios de vácuo.

Na Lingüística, o Nada pode dizer Tudo e o Tudo pode não dizer Nada - conclusão evasiva, tabula rasa.
Por que o Nada é masculino? Em defesa da criação do gênero Neutro em português.

Segundo a escola budista do Meio, a vacuidade do discurso uma vez realizada introduz à experiência inefável da natureza de Buda. O incriado.

O Nada tem seus adeptos acadêmicos - os filósofos e os astrônomos. Na paisagem, o deserto, o ermo. A Lacuna.

Dificilmente o Nada é insignificante, embora abstrato. Tem gente que acha o Nada charmoso. Prefiro me abster e deixar passar em branco.

Nonada é uma bolha d'água. Nada tem cheiro de segredo e de mais coisíssima nenhuma.

Fantasmas são almas nulas que não aceitam o Nada no Nenhures. Morto 360°.

Na Cabala, é En Soph; no tarot, O Louco, o começo e o fim.

Vox et praterea nihil

Çifa, ovo cósmico.
Zero.

In nubibus, nhecas de pitibiribas para todos,
Zoe

3 de julho de 2005

NIKITA, ou A Arte de Encontrar Gatinhos Perdidos






















Hello Kitty Tarot


Outro dia, enquanto descascava batatas, recebi um pedido de urgência. Um gatinho desaparecido. Onde foi parar Nikita? Lavei as mãos, sequei-as, e esfreguei rapidamente uma palma na outra. Não sei se seria tão rápida e prestimosa se fosse uma questão de amor, acostumada que estou com pedidos dessa ordem. É curioso perceber que questões amorosas costumam se resolver em um ou dois dias, com ou sem auxílio de uma taróloga. E, no mais das vezes, o que consulente deseja mesmo é falar sobre suas mágoas. Algumas pessoas, cegas por Cupido, nem escutam o que se diz.

Gatinhos perdidos são, deveras, mais importantes. Escolhi o Waite, a meu ver um conjunto de cartas mais talhado para responder perguntas oraculares. Pois bem, com a amiga ao telefone, embaralhei o maço, pedi que visualizasse a questão e cortei. Abri o leque. Solicitei que visse, na sua tela mental, a imagem da gatinha. E que me autorizasse, três vezes, a retirar três cartas, no momento em que considerasse adequado. A primeira carta foi Os Amantes, arcano VI. Ora, está namorando, respondi sorrindo. Não, disse minha interlocutora. É castrada. Nessa hora, troquei a fita. Não sei dizer bem como foi, mas as coisas se resumiram em algum lugar. Ela está encurralada. Não sabe como sair de onde está. A consulente respondeu - É isso que sinto. Continuei, virando a carta seguinte: O Hierofante, Papa para os mais íntimos. Duas pesadas colunas contém a imagem. Está presa em algum lugar com grandes colunas, uma igreja, talvez? Nesse momento senti receio de estar falando bobagem, porque nunca ouvi falar de gatos presos em igrejas. Mas como aprendi a confiar no meu instrumento de trabalho e nas intuições continuei tirando a terceira carta: o Seis de Gládios. A imagem de Pamela Smith traz o barqueiro atravessando um rio, uma carta de passagem. Fui no óbvio: - Tem algum rio aí perto da sua casa? Uma ponte? Não, tive como resposta. Bem, concluí, a impressão que tenho é você deve sair para procurá-la. Está depois de algum lugar com água, perto da água, talvez presa em um espaço com colunas, encurralada.

A consulente, satisfeita com a resposta objetiva, agradeceu e desligou rapidamente. Voltei para minhas batatas pensando no Tarot como um instrumento divinatório. Como um oráculo que dá respostas estranhas, enigmáticas. E com uma sensação de ela encontraria a gatinha antes que o almoço estivesse pronto.

BATATA. Assim que coloquei a comida na mesa, a amiga tornou a ligar. E contou que, ao passar por uma casa vizinha escutou um miado. Pediu para entrar. Casa de gente rica, muito rica, com colunas de mármore. No fundo da casa, uma piscina. Atrás da piscina um jardim de onde Nikita, por algum motivo, não conseguia sair. Pegou a gatinha no colo e levou-a para casa.

Fiquei feliz com o acerto. E ainda mais confiante no meu trabalho, no meu instrumento. No meio de tantos livros sobre o Tarot, um mar de maionese esotérica cheio de correlações inúteis, vale o Tarot como uma coleção de imagens que se basta.

É suficiente lê-lo.


Zoe de Camaris