13 de maio de 2007

EL MAGO



Ou também chamado de Prestidigitador. Aquele que tem uma incomum habilidade nas mãos. No dicionário, prestidigita aquele que tem a aptidão para iludir, para encantar. Mas antes de tudo há a destreza de seus braços. O Mágico tem o poder de movê-los tão depressa, mais tão depressa que seus gestos confundem e atordoam. É o ilusionista de feira que move os copos com tanta rapidez que não se sabe onde foi parar a moedinha. De onde vieram os coelhos? Cadê o valete?

É o Mago que aciona águas e ventos, que seduz céus e terra com seu gesto imperativo. O eterno iniciado. A nasciturna ordem no caos.

Traz, em primeira mão, a idéia de potência, de algo que ainda não se realizou, arcano 1 que é. Hora em que ainda não se sabe se o movimento está nele ou nós, como num espelho. Há que se olhar o Tarot com perplexidade. A carta instaura a idéia de uma primeira visada. O que fará o rapaz de cabelos dourados com a ânsia da ação? Tudo ou nada. O poder de criação está em suas mãos.


E quando o Mago erra a mão? Ou fica com as mãos atadas? Problemas...

Coisa que verifiquei ontem. Sentindo que esta que vos escreve precisava de uma azeitada nos ombros e uma geral nas costas chamei um amigo de minha filha, masso e fisioterapeuta. Genial. Foi o melhor presente que me dei nos últimos tempos, me colocar em boas mãos.

Ele começou pela direita. Ficou um tempão ali massageando cada centímetro, cada pedacinho. Aquela dorzinha gostosa sabe? Mas que em certos pontos, doía pra caramba. Aí ele passou para a mão esquerda e como senti uma dor mais aguda, observei que possivelmente a esquerda estava pior do que a direita. Ele não concordou. E falou assim:

- Tem algo que você deseja muito. Com todo fervor, com todas suas forças. Mas que não pode fazer. Não tem meios de acionar o gesto porque aí reside uma série de implicações. Toda essa vontade está aqui, contida, deixando sua mão dura, tensa. Presa. Você reteve tudo com as mãos postas.


Eu só não caí pra trás com o diagnóstico porque estava deitada. É exatamente a situação em que me encontro. Via de mão única com uma pedra na frente. E uma teimosia enorme em trocar de caminho. Não quero e por isso não posso. Quero o desejo do outro que, não necessariamente, deseja aquilo que desejo. No tempo em que desejo. E esta impossibilidade me torna inflexível, me tolhe todo o movimento. O Mago invertido. O Feiticeiro me deixou na mão. O Enforcado é o Mago preso no espelho?

Quando a única ação é a não-ação, só quem é zen se dá bem. Ou quem passa, sem tanta insistência, para o lugar da Sacerdotisa e coloca tudo nas mãos do universo. Aguarda, com conhecimento de causa. Ela tem o livro sob suas mãos. E toda arte da gentil paciência. O que é uma mão na roda, diga-se de passagem - para quem consegue. Relaxar, desencanar. Mas quando se quer colocar mãos à obra e não se tem como, mete-se a mão na cumbuca. E de lá ela não sai.

Pensei em tudo isso enquanto via aquelas bolinhas loucas de prana dançando na minha frente, logo ali na varanda. Fazia tempo que não as observava, dançando e cintilando. Era como se meu corpo estivesse se descristalizando. E quando a massagem acabou, minhas mãos estavam tão leves que eu poderia dizer que as mãos de gengibre da bruxa que eu não via se transformaram novamente em mãos de fada. Asas ao invés de mãos. Eu poderia voar.

Há que se dar a mão à palmatória. Não há como manipular, nem prestidigitar certas situações. O jeito é largar mão. Colocar a mão na consciência, aceitar os fatos e entregar de mão aberta o desejo, meu tão forte desejo, ao universo. Dona Esperança que pare de passar a mão na minha cabeça e disfarçar seu assalto à mão armada porque é isso que ela faz. Finge que te dá uma mãozinha. Faz com as mãos e desmancha com os pés. E a água te escorre pelos dedos.


Agora, de duas uma: ou tenho um insight e a minhas mãos me guiam sem fazer força para o acalentado objetivo e o Mago se colocará de pé novamente, ou então elas vão endurecer de novo. Porque fiz o movimento contrário - liberei no corpo o que ainda não está liberto na mente. E talvez nunca vá estar liberto no coração. O Mago fala de controle. Mas tem coisas que a gente não pode controlar e por isso se controla tanto. Taí a liberdade - bolinhas de prana.



Ainda não tenho a solução, nem conheço o gesto certo. Porque não quero nem iludir nem acenar. Tenho o movimento mas não posso fazê-lo. Queria que o Valete me segurasse pela mão, saindo da manga. Aí então, eu teria asas. Como Cupido para Psiquê.

E nada de jogar as mãos para o céu - seria um ato forçado e de segunda mão, como esta frase. Mas também não vou colocar minhas mãos no fogo e assisti-las queimando. Seja como for, vi claramente a situação em que me meti. Porque um Mago me tocou. Fez o gesto certo e conhecia a palavra. Abriu a mão. E de lá cairam todas as moedas que eu guardava nas orelhas. E essa sorte, essa grande sorte, me foi dada de mão beijada.


digitando,
Zoe de Camaris
psiu: fui visitar minha amiga Alice, de passagem pela cidade por causa do dia das Mãos, ops, das Mães. E falando sobre a espera ela me disse que a gente, nesses casos, nunca espera. Só se desespera. Porque o esperar é um grito que fica alisando o peito. Então não há espera. Só desespero. Fala de poeta.

3 comentários:

Raquel disse...

Ficou bem mais redondo.Adorei.Raquel

Daniart disse...

Gostaria de saber como funciona curso de tarot via msn ou spyke.
contato.d@gmail.com
Daniela

Alexsander disse...

O mago de mãos(e pés) atadas(os) pendurado fica. Impotente. Mas como Mago que é, tem sempre um truque na manga, que lhe sai pelas mãos... atadas e unidas. E se essas não conseguem se mexer para fazer o que quer que seja, conseguem se unir para pedir forças aos céus e rezar. E aí, canalizar, libertar e realizar!

Bolinhas de prana. Alimento pra alma e pro corpo. O mago não é bobo sabe aproveitar tudo que está a sua volta mesmo que seja pouco ou nada pq nao tem ele inventa! Bolinhas de prana servem pra muita coisa!

Nossa, falei tudo e não disse nada. Devo estar sendo prestidigitado por mim mesmo!

besos