Noves fora, Zero. E dá para começar tudo de novo.
9 de setembro de 2012
15 de agosto de 2012
21 de maio de 2012
O mundo de cabeça para baixo
"Não a entendo", disse Alice. "É horrivelmente confuso!”
“É isso que dá viver às avessas", disse a Rainha com doçura: "sempre deixa a gente um pouco tonta no começo...”
"Viver às avessas!" Alice repetiu em grande assombro. "Nunca ouvi falar de tal coisa!"
"...mas há uma grande vantagem nisso: a nossa memória funciona nos dois sentidos."
"Tenho certeza de que a minha só funciona em um", Alice observou. "Não posso lembrar coisas antes que elas aconteçam.”
“É uma mísera memória, essa sua, que só funciona para trás", a Rainha observou.
Alice através do Espelho- Lewis Carroll
ZOE NO PERSONARE !
16 de maio de 2012
Basta um peteleco
O processo criativo é algo enigmático. Cada um de nós têm sua forma, seu momento, sua esquisitices, facilidades e dificuldades na hora de parir uma ideia, seja um projeto, um poema, uma pintura, uma nova receita de bolo.
O lampejo pode surgir do caos: Plim! Em seguida é necessário que pequeno gérmen fale com o que lhe vai fundo na alma. Dialogue com seus desejos. Aí é preciso que se materialize primariamente, momento em que muitas vezes, a ideia escorre e se perde para sempre. Já dizia o escritor Jack Kerouac: "Considere uma ideia perdida como irremediavelmente perdida", sugerindo que a memória cria peças e que um bloco de notas faz toda a diferença.
Lembro-me que li em algum lugar sobre as etapas do processo criativo relacionado com os naipes, se é que é possível separar em partes o que funciona em harmonia... Bem, vale como tentativa de estudo. O insight seria Espadas (1); a indispensável empatia pela ideia, Copas (2); a energia dispendida para realizá-la, Paus (3); e sua realização propriamente dita, em Ouros (4). Se era isso mesmo, não sei. Mas minha memória concorda efetivamente com as etapas Copas/Ouros. Quanto a Paus/Espadas, podemos pensar também que o lampejo poderia estar em Paus e a energia intelectual dispendida na terceira etapa, em Espadas.
Creio que a ordem da dupla masculina Fogo/Ar dependa do que está em jogo.
Se é uma obra sujeita à organização racional das idéias, teríamos Paus/Espadas. Exemplo: Tive uma "sacada" boa para um projeto. A luz acende. A partir do momento em que percebo que a ideia faz sentido para mim (sim, porque posso ter uma nova ideia mas não "gostar" ou não ter "ferramentas" para fechar o processo) sento e escrevo.

Se é uma obra que depende de soltura e profusão energética, sem maior interferências organizadoras, a ordem seria diferente. A ideia nasceria em Espadas e depois de fundamentada nos meus sentimentos, Copas, precisaria me desligar do processo racional e dar vazão através de Paus, o Fogo. A escrita de um poema surrealista se daria assim. Ou então a pintura de um abstrato.
Percebam que ainda restam dúvidas na diferenciação da primeira etapa do processo criativo. Qual a diferença entre um lampejo de Paus para um lampejo de Espadas? Além do mais, é claro que estamos falando de algo que não é dividido assim, bonitinho. É só a velha mania cartesiana de Jack, O Estripador...
Gostaria de opiniões sobre a questão dos naipes e o processo criativo. O que vocês acham?
Tem horas também que não dá para bancar a Eremita. Existem prazos, o famoso deadline. É aí que me lembro deste trecho da Clarissa Pínkola Estes, no capítulo sobre o sustento das águas criativas (em Mulheres que correm com os lobos) que deveria ser enviado para filhos, marido, ex-maridos, amigas novidadeiras, porteiros, e ainda colocado na secretária do telefone:
"Pode também acontecer de o processo criador da mulher ser mal compreendido ou desrespeitado pelos que a cercam. Cabe a ela informar-lhes que, quando ela está com 'aquela expressão' nos olhos, isso não quer dizer que ela seja um terreno baldio à espera de que o ocupem. Quer dizer que ela está equilibrando um grande castelo de cartas de idéias na ponta de um único dedo, que está unindo cuidadosamente todas as cartas usando minúsculos ossos cristalinos e um pouquinho de saliva e que, se ao menos conseguir levar tudo até a mesa sem que caia ou se desmorone, ela poderá trazer à luz uma imagem do mundo invisível. Falar com ela nesse momento equivale a criar um vento de Harpia que, com um sopro, destrói toda a estrutura. Falar com ela nesse momento equivale a partir seu coração".Ei, não parta meu coração!
Zoe de Camaris
14 de maio de 2012
FASHION TAROT
Quando comecei trabalhar como professora na Universidade Federal de Ouro Preto, onde também cursei minha especialização em Letras, lembro-me que quando falava do Tarot sempre causava um estranhamento, quando não uma risadinha de canto de boca. Me irritava muito que as pessoas não percebessem o seu potencial como um sistema de linguagem visual e relacionassem o Tarot apenas ao seu conteúdo esotérico e oracular. Mesmo o seu viés misterioso era abafado pela imagem do charlatão, da cartomante de fundo de quintal, da tenda de estrelinhas, enfim, parte de um universo brega.
Italo Calvino já havia escrito o seu Castelo dos destinos cruzados e isso me ajudou um pouco, afinal Calvino sempre foi e é considerado um autor de ponta para os estudos literários. Mesmo assim a desconfiança continuava e eu cada vez mais imbuída da minha pretensiosa missão de revalidar o Tarot como uma das mais profícuas máquinas de imaginar já criadas pela sensibilidade humana. E a gente começa, sempre, na beira do rio que corre em nossa aldeia...
Hoje, vejo com alegria que, independente das minhas pequenas vitórias e derrotas, o Tarot não precisa mais de revalidação. Sua qualidade em propulsionar o ato criativo é reconhecida universalmente e cada dia que passa fascina mais adeptos.
Hoje, vejo com alegria que, independente das minhas pequenas vitórias e derrotas, o Tarot não precisa mais de revalidação. Sua qualidade em propulsionar o ato criativo é reconhecida universalmente e cada dia que passa fascina mais adeptos.
Pesquisando imagens que guardo nos meus arquivos, dei de cara com uma modelo desfilando para o Fashion Week de Nova Iorque um traje inspirado nas imagens de Frida Harris. E resolvi então pesquisar um pouco sobre o mundo fashion e o Tarot. Uau! O Tarot faz festa em Milão, Nova Iorque e Paris.
O ensaio fotográfico é da René Oliver Production e se chama Visionary Fashion. Não entendo nada de moda mas gosto particularmente da ideia proposta para a Torre e da beleza delicada da carta da Justiça. Curiosamente são as duas imagens que guardam uma maior semelhança com o conteúdo original das lâminas.
E esta máscara/cabelo então? É maravilhosa. Frida H. na veia.
Essa produção é para o Harper's Bazaar, 1953, por Louise Dahl Wolfe. Vintage total.

E este traje de Christian Lacroix para a Grã, Alta, Super Sacerdotisa? Alucinante.
Bem, aí estão alguns poucos exemplos do Tarot fazendo moda. E para quem quer um oráculo fashionista, clique aqui e tire suas cartas com o Vogue Tarot.
Agora lá vou eu tomar um banho e dar de cara com meu guarda-roupinha. Ai ai, é para quem pode, não para quem quer... Snif.
Zoe de Camaris
12 de maio de 2012
OS LIMITES DA INTERPRETAÇÃO
O Tarot é um sistema imagético de linguagem que permite uma gama variada de interpretações, tanto na sua sintaxe, sua sequência linear, como nas inúmeras relações paradigmáticas, ou eixos associativos, permitidas por sua estrutura combinatória. Aí reside sua grande riqueza, gerar possibilidades inimagináveis de leitura em diversos níveis de interpretação. No entanto, assim como em nossas qualidades residem nossos piores defeitos, com o Tarot não é diferente. Para quem não percebe a especificidade dos ingredientes de uma receita o que temos como resultado é a famosa gororoba: - Mas eu segui a receita certinho, diz o iniciante. Pois é. No açafrão há uma distância considerável entre a raiz e o pistilo da flor.
No que se refere aos arcanos maiores sabemos que existem certos conceitos norteadores fixos. Não podemos, por exemplo, interpretar a aparição da Imperatriz como um "momento de retirada", assim como não é possível ler na carta do Julgamento, uma fase de estabilidade.
Os arcanos menores apresentam uma maior variedade interpretativa, dependendo do sistema com o qual se trabalha ou deck escolhido. Os menores de um Tarot Egípcio nem sempre encontrarão eco nos arcanos menores do Tarot Waite, por exemplo. É possível, inclusive, criar um Tarot que respeite os símbolos e significados dos arcanos maiores e inovar nos arcanos menores, desde que se mantenha o mesmo número de lâminas e também a sua estrutura. O Tarot Mitológico, nesse sentido, é exemplar.
Do momento em que o Tarot "fala" com você, novos insigths interpretativos se abrem e isso é mágico. As possibilidades relacionais são incontáveis. Isso no que se refere aos conceitos pertinentes a cada carta. Estamos tratando de Arte e não de Ciência. E quando se fala da leitura de cinco ou mais arcanos dispostos ao acaso, viajamos então para um céu repleto de estrelas.
Com isso quero dizer que apoio e defendo a liberdade de interpretação. Embora não consiga evitar uma rejeição natural às maioneses interpretativas e confesso que, neste "novo mundo do Tarot" com o qual me deparo depois de alguns anos tratando de outros assuntos, há mais salmonela que a quase inócua maionese. Maionese ainda vaí, mas com salmonela pode ser letal.
O susto se deve, principalmente, quando vejo as imagens do Tarot sendo interpretadas ao pé da letra, de forma rasa e com psicologismos de botequim. E me assusto ainda mais quando vejo estas informações divulgadas em blogs e sites que se dizem sérios e por "tarólogos" que de Tarot não entendem lhufas.
Também não vou dar nomes aos bois porque tenho percebido mais um outro dado estarrecedor: o mundo do Tarot virou um ringue. Até uns cinco anos atrás existiam divergências tratadas com elegância e pontualidade, o que é profícuo. Mas elegância não pode ser confundida com hipocrisia pois é detestável o reino das concordâncias vazias, do puxa-saquismo e dos elogios faca-de-dois-gumes. O que tenho visto agora, além da arena das vaidades, é uma apelação que beira o ridículo. Pessoas que não compreendem metáforas, que não identificam ironia e que, por consequência, não estão habilitadas para interpretar símbolos, alegorias, emblemas.
Aí virão me dizer, mas Zoe, quem pira interpretando cartas é você que ilustra poemas com imagens, que procura o significado das cartas no cinema, nas artes plásticas! Sim, essa é a Zoe eterna estudante. A estudante que sempre estará buscando vieses interpretativos, novas possibilidades de sentido. A estudante que antes de relacionar uma imagem do Tarot com qualquer outro sistema coisa lê no mínimo três livros sobre o assunto e que pesquisa incansavelmente.
MAS, quando se trata de ler o Tarot, de dar de encontro com um consulente que, via de regra estará aberto para as palavras e ideias que leio nas minhas cartas, a coisa toda é bem diferente. Reconheço os limites. Tenho um enorme respeito pelo meu trabalho e mais respeito ainda pelas pessoas que se consultam comigo até porque, quando era adolescente, fui vítima de uma cartomante terrível que me deixou na cabeça uma questão que não tinha nada a ver por mais de trinta anos. A responsabilidade é muito grande. Não temos e sempre achei que não deveríamos ter uma instituição reguladora. Hoje sou obrigada a rever minha opinião.
Então, caros leitores do meu blog, ao relacionar uma carta a um poema ou a um filme, trata-se de criatividade, busca de conhecimento e diletantismo. Agora, quando são criados significados fixos para as cartas, significados estes que podem (infelizmente) ser usados em leituras "PROFISSIONAIS" de Tarot, a porca torce o rabo.
Cuidado.
Goroboba esotérico-psicológica já é péssimo. Mas salmonela mata.
Zoe de Camaris
18 de fevereiro de 2012
A FLOR AZUL (1)

Li em algum lugar, talvez colhida do grande cabedal imaginário que habita a alma do mundo, talvez nas histórias da avó de um tal de João, que no passado acontecia das bruxas enamorarem-se pelos homens e que em muitas ocasiões, os pobres mortais se apaixonavam pela bruxas.
No segundo caso, a consequência de não poder culminar esses amores impulsionava os pobres moços abduzidos e encantados pelas feiticeiras a buscar a imortalidade tranformando-se em astutos políticos ou em algo ainda mais nobre, pobres poetas.
De vez em quando acontecia do rapaz ser um pobre poeta. Se perseverava em sua fidalguia, podia conseguir romper o coração da bruxa. Ela então, mais racional do que seu enamorado, sentindo-se presa por um amor mortal, chorava sua eterna amargura com uma só lágrima. Dizia a lenda que se a lágrima caísse no chão próxima a um choupo, daria origem a uma roseira da qual brotariam rosas azuis. Há muitos e muitos anos, ao pé de quatro choupos no rosal asturiano de Olviedo, floresciam rosas azuis no solstício de verão.
Por algum motivo que desconheço, determinados símbolos nos percorrem alma como se estivessem grudados nas enzimas do sangue. Por que o que me significa não é "a" mas sim "b"? Por que não arregalo os olhos frente a idéia de um cavalo alado mas sinto meus olhos fluirem só em pensar em uma flor azul? Muito antes de me deparar com as horríveis rosas pintadas de anelina, grito do "kitsch", já reconhecia a flor azul como um símbolo do impossível. Efeito sessão da tarde, sem dúvida, já que não li românticos alemães na infância. E ao conhecer a obra de Novalis apenas me certifiquei do que já sabia: "O que desejo ver é a flor azul. Sua imagem não me abandona". E fui percorrendo histórias. Para não deixar barato, ainda a poesia de Samuel Coleridge: "E se você dormisse? E se você sonhasse? E se, em seu sonho, você fosse ao Paraíso e lá colhesse uma flor bela e estranha? E se, ao despertar, você tivesse a flor entre as mãos? Ah, e então?"
A flor azul seria a encarnação da perfeição, do amor impossível, da raridade, da pureza máxima, da inocência, da cura, da imaginação criativa, da utopia e da imortalidade. Há uma certa tristeza nela e alguma solidão. Flor líquida e aérea, azul da água e do céu. A graça da flor azul é sua impossibilidade natural. Uma rosa azul seria o Santo Graal das flores.
A flor azul seria a encarnação da perfeição, do amor impossível, da raridade, da pureza máxima, da inocência, da cura, da imaginação criativa, da utopia e da imortalidade. Há uma certa tristeza nela e alguma solidão. Flor líquida e aérea, azul da água e do céu. A graça da flor azul é sua impossibilidade natural. Uma rosa azul seria o Santo Graal das flores.
A imagem é reiterada poeticamente por Pablo Neruda, que a cita em pelo menos em uns cinco poemas. Em Batman Begins, da flor azul é feito o alucinógeno que desperta em Bruce Wayne os seus maiores medos - substância que, mais tarde, será derramada no abastecimento de água de Gotham City para despertar as fobias da população. Seria a flor azul de Batman, uma papoula?
"Há
muitos e muitos anos, em um país longínquo e triste, existia uma enorme
montanha de pedra negra e áspera. Ao cair da tarde, em cima dessa montanha,
florescia todas as noites uma rosa que concedia a imortalidade. Uma rosa azul.
Seu espinhoso caule cobria e rodeava toda a volta da escarpada ponta negra da montanha
de granito. Os espinhos cresciam
ao redor da rocha como serpentes que a sufocavam. Mas nada nem ninguém se
atrevia a aproximar-se dela, pois seus numerosos espinhos estavam envenenados. Entre os homens só se falava do medo da morte e da dor, mas
nunca da promessa de imortalidade. E todas as tardes a rosa murchava sem poder
outorgar seus dons a nenhuma pessoa. Esquecida e perdida em cima da montanha de pedra
fria, sozinha até o final dos tempos. "
Inventaram então os japoneses, esses loucos, a tal rosa azul, por mutação genética. Ah, dirão alguns, mas é só um experimento, como outros que estão aí. Clones, dolllys.... Mas não. A criação da rosa azul altera e alcança a dimensão do simbólico. Seria o mesmo se amanhã ao abrir a janela, me deparasse com um unicórnio atravessando o jardim.
Até porque de azul, basta a beleza dos miosótis e seu anil de estrelas. A Rosa Azul. A única flor azul no topo de uma montanha.
Zoe de Camaris
Até porque de azul, basta a beleza dos miosótis e seu anil de estrelas. A Rosa Azul. A única flor azul no topo de uma montanha.
Zoe de Camaris
SORTE SUA
Um dia é da caça - outro, do caçador. Tudo gira, o mundo muda, única constante. Às vezes o giro é tão rápido que nos lança fora da roda - não raro quando desejamos colher no inverno os frutos do verão. Nosso peso altera o ritmo da roda. Vale sossegar a alma e acompanhar, no olho do furacão, seu movimento belo e terrível. A Fortuna. Um lance de dados nunca abolirá o acaso. Regnabo, regno, regnavi. Estrela cadente. Dizem que quem tem sorte no amor não joga cartas. Será que quem joga cartas tem, necessariamente, pouca sorte no amor?
Diviníssima Providência, serendipity.
Alea jacta est. A sorte está lançada.
12 de novembro de 2011
Ver com os olhos livres
“O lance com o futuro é o seguinte: Toda vez que você olha o futuro ele muda porque você olhou. E isso muda todo o resto”.
A frase está no filme
“O Vidente” (2007) de Lee Tamahori. É bacana quando alguém resume em poucas
palavras aquilo que você sempre percebeu. Porque sei que em todas às vezes que
retiro cartas aleatoriamente de um maço, assim o é.O futuro se modifica porque ao imbuir significado às cartas e ao respeitá-las como detentoras de uma função oracular, uma transformação ocorre em mim. Seja para me certificar do que já sei, seja para descobrir uma nova ligação entre os fatos.
Por isso, só lanço mão do Tarot se considerar este gesto um ato mágico. Neste momento, abre-se a cortina: ali estão os cenários, as personagens, a ação que envolve o enredo. Os temas. Os grandes temas e os temas cotidianos, por assim dizer. Os Arcanos Maiores e Menores. E nós, as personagens, equilibrando num entusiasmado malabarismo, moedas, chaves, torres, gadelhas, cavalos, livros e trombetas.
Vítimas do destino, como os animais na Roda da Fortuna, diriam alguns. Responsáveis pelo caminho, os defensores do livre-arbítrio.
Especulações sobre o que é oculto!, seria a fala da Sacerdotisa, aquela que sibila. Conjecturas inefáveis sobre os ditames do Universo. Mas se existe um desenho, o desígnio dos deuses está sendo traçado. Os imortais estão, no momento presente, manipulando as cordas que mexem os membros das marionetes. Posso, no ato de consultar o oráculo, ao lançar a sorte, investigá-lo, descobrir antes que aconteça. E refletir sobre o caminho a tomar.
Podemos também fazer uso da informação que modifica o curso dos acontecimentos e apenas observá-la. Observar é uma ação. Podemos agir diretamente sobre os azares, criando clímax, prevendo um resultado. Ou podemos tratá-los como poesia e deixar que o som de suas palavras nos norteie. Seja como for, algo mudou.
Os véus foram retirados em uma pausa de significado, em um novo raio de interpretação, em um arranjo revelador – um lance de dados, diria Mallarmé. Aí está a transformação. Disse a personagem “Oráculo”, em Matrix: – Se eu não tivesse dito, você teria derrubado? quando Neo esbarra em um vaso.
Não se vai ao Oráculo impunemente. Alguma coisa sempre acontece. Um rito está em arranjo. Uma fonte de água nasce em algum lugar.
E lançada a pergunta, como virá a resposta? Em Curitiba há o exemplo da Mulher das Balas. Viúva, com muitos filhos para criar, um dia entra em uma Igreja e pede ajuda aos céus:
– O que fazer para sustentar meus filhos? Que Deus me dê um sinal! e curva-se em respeito.
No chão, um papel de bala aberto. No alumínio, um estranho brilho. Desde então passa a catar papéis de bala pelo chão da cidade. E inventa moda: bonecas, trajes, brinquedos. Vende sua arte numa feira, em outras feiras. E em pouco tempo uma atriz global abre o desfile de suas criações. É o jogo dos deuses.
Nós, acostumados a filosofar e a superinterpretar, dificilmente levaríamos o oráculo ao pé da letra. Pensaríamos:
– “Bem, os deuses querem que eu desembrulhe minha vida”, ao vermos o papel de bala. Percepção que nos levaria a outra pergunta:
– Mas como? E talvez não chegássemos nunca a resultado algum.
Um pequeno índice, um papel caído no chão pode conter a resposta. Cada um verá o que seus olhos possam perceber. Quando os filhos do rei de Roma são mandados para Delfos no intuito de saber quem sucederia a Tarquínio, a resposta do oráculo foi: – Aquele que primeiro beijar sua mãe. Lucius Junius Brutus, um Louco com “L” maiúsculo, fez de conta que tropeçou e cai no chão dizendo: – Beijo-te, Mãe Terra! Conta-se que assim se tornou cônsul e fundou a República Romana. O Louco pode ser sábio, até sem querer. E a Fortuna brinda com a sorte os brincalhões. Se o futuro está em nossas mãos ou não, eu não sei. Sei que ele muda quando se olha pra ele. É ótima a imagem da bola de cristal para representar a ideia oracular. O cristal transparente nada esconde por isso é possível ver através dele em uma lufada de inspiração e imaginação. Gancho que pode lançá-lo para fora de um poço de dúvidas. Colocá-lo como sutil observador do cristal. E algo mudará. Algo sempre muda quando se olha para o futuro. Mesmo que você não acredite nisso.
(*) A expressão “Ver com os olhos livres” é do poeta Oswald de Andrade.Originalmente, este é um artigo do Clube do Tarô.
25 de setembro de 2011
A Rainha de Copas
Queen of Cups/ Jake Baddeley
A Majestade dos Tronos da Água. A Rainha entre as figuras da corte preside a matéria aquosa. Por ser de Copas, Cálices, Taças, é duplamente água. Elemento no elemento. Líquido e recipiente. Água da Água. Não há nada de masculino nessa figura - estrogênio puro, arquétipo visceral do feminino. Nenhuma mulher de carne e osso pode ser completamente de Copas, a não ser quando, eventualmente, atinge o estado medial. Falamos de um arquétipo e do encontro dessa força primeva com mulheres de carne e osso.
Sim,
a Rainha de Ouros também é duplamente feminina, Terra e Água, mas aí é outra
história. O elemento Terra lhe torna "corpórea", tangível. A Mãe de Ouros relaciona-se com A Imperatriz, Terra.
A Rainha Copas, heroína e mote deste
artigo, é uma emanação da Alta Sacerdotisa, arcano II.
Pura
água, reflexo e transparência.
A Dama das Águas é fluidez e dissolução, líquido amniótico, origem do mundo. Paralela ao horizonte espraia-se na superfície. Assim como o planeta, formado de 80% de água. Como o corpo humano. Mas a Rainha de Copas é 100% água. Especificamente nesse caso, 20% fazem toda a diferença.
A
Majestade das Águas mata a Terra por dissolução, o Fogo por extinção e o Ar por
dilúvio. O poder da água é inquestionável e avassalador. Assim também sabemos como ela pode morrer.
A
Água rege o sono profundo, as memórias, o inconsciente. É o repouso.
Horizontalizamo-nos quando dormimos. Voltamos ao estado aquático, às praias nativas, areia nos olhos. Unimo-nos a
nós mesmos. Quando as nossas águas internas se acalmam namoramos com o Sonho. É
onde e quando o Tempo, deus radical e de pouca conversa, subvertido pelo mergulho noturno de uma gota humana nos deixa em relativa, momentânea paz.
Característica
da Água: o amálgama, o mimetismo. Então, a nossa Rainha nunca pode mostrar-se
exatamente como é. É o caso de Melusina, a mulher serpente. Ou de Mélisande,
alter ego do Cavaleiro Verde no ciclo arturiano. Pura Anima. Emanação. Signo do engolimento, da expulsão, da corredeira simbólica.
![]() |
| The Silent Wail of Melisande -Chipo Laba |
Águas da foz, nascentes e doces (signo de Caranguejo), Águas paradas e pantanosas (signo de
Escorpião), Águas do mar (signo de Peixes). Três estágios do comportamento,
cardinal, fixo e mutável. E assim se mexe a Majestade, dependendo dos humores.
E tendo regência lunar...
A Lua muda. Existe água na Lua. A Rainha muda. A Menina (lua nova), A Sereia (lua crescente), A Mãe (lua cheia), A Bruxa (lua minguante). Em sua doçura mora o sal e todos os perigos do mar. A força das marés. O oceano profundo.
A Lua muda. Existe água na Lua. A Rainha muda. A Menina (lua nova), A Sereia (lua crescente), A Mãe (lua cheia), A Bruxa (lua minguante). Em sua doçura mora o sal e todos os perigos do mar. A força das marés. O oceano profundo.
Menina, porque é Boba. Bobíssima. Na Rainha de Copas vive uma eterna princesinha. Ela dança. Menina, porque é pura. Tem um trato inicial com a inocência. É a mulher-menina, a mulher-Estrela, cantada em verso e prosa por André Breton e Benjamim Péret, a musa eterna do Amor Sublime. Psiquê.
Espera um príncipe encantado. E ativa o romântico-apaixonado em cada homem. É com ela que ele quer se casar, a princesa de seus sonhos secretos. Mulher Anima. De novo, o espelho. Ela não existe. Ela é Ele. Ele é Ela: "Conta a lenda que dormia/ Uma princesa encantada/ A quem só despertaria/ Um infante, que viria/ De além do muro da estrada (...) Assim nos conta Fernando Pessoa, ele mesmo, no seu poema Eros e Psiquê. Até que o príncipe vê que ele mesmo era a princesa que dormia.
Beatriz de Dante, Charlotte de Werther. Laura de Petrarca.
Espera um príncipe encantado. E ativa o romântico-apaixonado em cada homem. É com ela que ele quer se casar, a princesa de seus sonhos secretos. Mulher Anima. De novo, o espelho. Ela não existe. Ela é Ele. Ele é Ela: "Conta a lenda que dormia/ Uma princesa encantada/ A quem só despertaria/ Um infante, que viria/ De além do muro da estrada (...) Assim nos conta Fernando Pessoa, ele mesmo, no seu poema Eros e Psiquê. Até que o príncipe vê que ele mesmo era a princesa que dormia.
Beatriz de Dante, Charlotte de Werther. Laura de Petrarca.
Mas também é a Sereia que encanta, a sedução encarnada no seu canto transparente. Pura Música. Remanso de sereias, os mais belos monstros marinhos. Então, também é A Morte, a escuridão e o silêncio profundo. Os ossos nos navios, tesouro de piratas marcados com uma caveira. Ao contrário da princesa, que completa, a sereia sempre deixa um espaço em branco, um espaço a ser preenchido, uma indefinição. Troca os sinais, confunde, desloca os sentidos. Fisga. Ela é quem transforma o outro em peixe. Incompleta traz a incompletude.
![]() |
| Robert Fludd, Utriusque Cosmi Maioris Scilicet et Minoris Metaphysica, 1617. |
É a Raiz dos Poderes da Água, princípio universal do Amor. É o balanço das águas que nina desde o ventre. São os braços que acolhem e a maciez do colo. A mais pura tradução da Ternura.
E é Bruxa porque mexe com o destino. Conhece os segredos do passado e do futuro através dos véus, raios de sol com poeira purpurínea. Não, sua arma não é fogo que bruxuleia nem o
vento que arrebenta nem a faca que corta nem a terra que acolhe. É a água que
reflete. Espelho d'água.
Em toda mulher de Copas há um espelho. Há alguém mais bela do que eu? A magia que devolve ao emissor os seus próprios desejos. Mas não! Não a confunda com a Madrasta Malvada. Estou falando do ponto de vista do espelho. A postura dela nunca é longilínea, verticalizada e intencionalmente marcada como a personagem de Espadas.
Copas é o reflexo. Por isso espadas e em geral, os signos do ar, a detestam. Mulheres regidas pela aridez do pensamento incomodam-se sobremaneira com a beleza desavisada de Copas.
![]() |
| Illusion of madness by damnedEvans |
Mas a nossa Rainha é capaz de iludir o sentido da visão. Pode ser uma velha de verruga no nariz, pode ser
Lorelei na areia, de pequenos ou grandes seios. Não se engane. Embora seja
impossível que ela não o engane porque o engano é da sua natureza. Não o engano
articulado do ar, nem o engano vaidoso do fogo, nem o engano
previsível do ouro. Mas ao poder que o feminino estende ontologicamente, visceralmente, a todas
as mulheres.
É dissoluta porque dispersa e dissipa tudo que encontra. Não pára em si. Embora (convenhamos) aceite contornos por onde quer se esgueire. No entanto, ninguém molda a água. Apenas a contém por um tempo. Enquanto há tijolos, diques, garrafas, ela é fiel. Mas se esses lhe apertam, ela os explode. Também não a gelem porque com sua força iceberguiana não se brinca. É quando ela escorre em avalanche e derruba o mundo com sua grande bola de gelo e neve. E se afrouxam e dela se esquecem a Rainha das Águas escapole por meandros, buracos invisíveis e desaparece levando sua graça para outra realidade, água solúvel em água. Ela está sempre em si. Por isso, quase não existe. Paradoxalmente, toma o todo terreno, absoluta. Reina sobre as modificações, plena de modificações. Adquire cores, mas permanece em essência a mesma.
É dissoluta porque dispersa e dissipa tudo que encontra. Não pára em si. Embora (convenhamos) aceite contornos por onde quer se esgueire. No entanto, ninguém molda a água. Apenas a contém por um tempo. Enquanto há tijolos, diques, garrafas, ela é fiel. Mas se esses lhe apertam, ela os explode. Também não a gelem porque com sua força iceberguiana não se brinca. É quando ela escorre em avalanche e derruba o mundo com sua grande bola de gelo e neve. E se afrouxam e dela se esquecem a Rainha das Águas escapole por meandros, buracos invisíveis e desaparece levando sua graça para outra realidade, água solúvel em água. Ela está sempre em si. Por isso, quase não existe. Paradoxalmente, toma o todo terreno, absoluta. Reina sobre as modificações, plena de modificações. Adquire cores, mas permanece em essência a mesma.
A
mulher que tem na sua base a vibração essencial da Rainha de Copas precisa,
para que possa se mostrar ao mundo, do vestido de Outra: algumas vibram em
Espadas, usando a inteligência cortante do ar; outras em Paus com a beleza e o
brilho do fogo; outras em Ouros, protegendo e alimentando com os frutos da
terra. A Majestade do Trono das Águas é a única que não pode mostrar-se em uma situação
mundana exatamente como ela é. Enfim...
Emoções
e sentimentos, eis sua praia. Ela sente e sente muito. Enquanto sente é vítima
de si mesma. Quando deixa de sentir já era, sinto muito. Você também vai chorar enquanto ela sofre, lamenta-se, vira berro d'água, água da água da água e toma afluentes. Afoga-se na tristeza. Para defender sua integridade sabe (ou pode saber) como alternar o leito
por onde corre. E nunca passa pelo mesmo lugar. Talvez depois de muitos anos,
depois de séculos, depois de Eras. Ela nunca deixará de ser o que era.
Nota-se também pela ausência. O supra-sumo da chantagem emocional. Líquida, liquida com tudo. É como se o mar de repente sumisse, desaparecesse.
Trágica, grandiosidade de Diva tem a nossa garota delicada. É Ophelia morta entre as flores e óperas. Lágrimas. Vítima de
sua extrema delicadeza. Vitima de sua sinceridade desavisada. Lágrimas. Vítima
da integridade ofertada aos transtornos masculinos. Lágrimas. Ela não compreende,
só sente. Ama em estado puro, mas não no mundo ordinário porque, o Amor, aqui na Terra, requer inteligência adequada. E lhe falta o jogo de cintura mercuriano, o fogo que lhe transforme a tepidez em lava, a antropologia visceral das necessidades básicas, o instinto animal norteador. Guria inadequada.
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| Medieval Scapini |
Sendo a dona da poesia, Dea Musa, digamos que a mulher de Copas precise urgentemente e sempre de máscaras para se proteger. Máscaras que desgrudadas do seu rosto sejam-lhe professoras e tornem-se maneiras de entendimento futuro. Que nunca lhe nublem a essência e sim lhe mostrem as articulações precisas para que ela burle a sua extremada sensibilidade. Para que possa se relacionar sem tanto e angustiado sofrimento. Para que não seque, para que não se envenene.
A dor e a depressão são tendências inatas dessa Rainha. Seu reino é a água tépida que para interagir precisa de terra, de fogo, de ar. Ela é Yin, totalmente yin. Para lidar com a dor precisa de apoio até que compreenda o que está ao alcance de suas mãos líquidas. E para que se proteja de si mesma. Não existe lugar neste mundo para uma mulher Água-Água. Ela é puro Cinema, Literatura, Mito.
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| AutumnsGoddess |
Sua representação na Arte mostra de duas, uma: ou é a ninfa que emerge ou a mulher que mergulha para sempre. No primeiro caso está a lenda da Selkie, mulher-foca que, mostrando-se quase sem querer em sua face humana faz um coração masculino apaixonado. Ele rouba-lhe a pele e a toma como mulher. Ela lhe dá filhos, mas seu olhar não disfarça a saudade do mar. Um dia retoma sua pele de foca e volta para suas águas matriciais. Não pode ser feliz fora do seu elemento.
A história que conto está no filme The Secret of Roan Inish e também é abordada
com maestria por Clarissa Pinkola Estés em Mulheres que correm com os lobos. Ainda no cinema, a visão mitopoética de M.
Night Shyamalan, (em Lady in water) nos lega Story, uma ninfa da água que aparece numa piscina de um condomínio.
Perseguida por inimigos que não querem que ela volte para seu mundo recebe
ajuda humana. Aí está a inadequação da Rainha de Copas. Ela não é do nosso
mundo. A não ser quando percebemos que no nosso mundo também moram a fantasia, a imaginação e a poesia.
Quando
há uma identificação extremada com a Rainha de Copas o risco de uma mulher perder-se
no espelho das águas é alto. Voltamos à Ophelia shakespeariana boiando
morta entre ninféias. Movimento
narcísico. Ela quer ser só ela mesma e nada mais. É a escritora
Virginia Wolff caminhando com uma pedra para o mundo das profundezas no seu suicídio.
É a personagem Ada do filme O Piano. Muda, sua voz é música. O cenário da sua história é cinza, nuvens carregadas, céu nublado chuva e sangue. Há água por todos os lados. Na magistral interpretação de Holly Hunter, a voz da sereia retorna para o mundo das águas. É também Dora Maar, de Picasso, que não chorava à toa.
É a personagem Ada do filme O Piano. Muda, sua voz é música. O cenário da sua história é cinza, nuvens carregadas, céu nublado chuva e sangue. Há água por todos os lados. Na magistral interpretação de Holly Hunter, a voz da sereia retorna para o mundo das águas. É também Dora Maar, de Picasso, que não chorava à toa.
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| Pablo Picasso, La femme qui pleure (Dora Maar), 1937 |
Mal
aspectada é La Loroña, a mãe que afoga seus filhos. Banshee, aquela que grita e
provoca a morte - Lilith, Cihuacoatl, Lamia e as sereias eslavas, as Rusalkas. A Rainha de Copas é também Viviane, a Senhora do Lago, a guardiã de Excalibur. Recebe, conhece e oferta. E quando não se distrai com as mazelas humanas retorna para o poço, lá onde o fundo é tão fundo que não tem fim.
Poderíamos
arriscar uma classificação. Inadequada, certamente. Quando se fala da Rainha
das Águas nenhuma classificação é possível. Escondendo-me de sua fúria (ou mágoa), esquecendo-me
da minha carta natal com caranguejo ascendendo em caranguejo, apelo para as artes geminianas: A Rainha de Copas de Crowley (Thot Tarot) tem sua posição
astrológica entre o 21° de Gêmeos ao 20° de Câncer. Possivelmente serei perdoada.
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| Thot Tarot |
A
Rainha de Copas é:
MEDIUM
se combinada com Copas
SEREIA
se combinada com Paus
MÃE
se combinada com Ouros
VIRGEM
se combinada com Espadas
Seu poder de entendimento dos segredos s do mundo plasma-se quando está em essência no mesmo elemento, quando
é A Sacerdotisa no Tarot. O poder de sedução inflama-se na Sereia quando de
encontro com o fogo, A Força no Tarot. O amor incondicional e o poder de gerar,
parir e nutrir no elemento terra, A Imperatriz no Tarot. E a pureza recheada
com poder do destino quando de encontro com o céu, com o ar, A Estrela no
Tarot.
A
Rainha de Copas, o feminino frágil, belo, romântico, carente e ao mesmo tempo
nutritivo, chafariz de toda a vida, parece ter se escondido para sempre nos livros ou falésias encantadas de pequenas cidades do interior da Irlanda. Em cartas de Tarot. Não cabe aqui. Virou personagem, voltou de onde veio com as veias sempre azuladas
sobre fundo branco. Sua sensibilidade curiosa e inocente, suas vestes diáfanas,
seus olhos verdes azulados de mergulho e sua incompetência funcional escondem-se
cada vez mais nas ondas radicais de um tsunami. Acordem! Inumana e fonte de toda a vida, toma o mundo em ondas. Rainha que não necessita de um império. E que, no entanto, reina absoluta.
Em Cy,
Zoe de Camaris
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| Queen of Cups by ghostinthesnow |
Em Cy,
Zoe de Camaris
1 de julho de 2011
Amor e Abismos
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| New Vision Tarot |
Sem garantias, fator de risco. Sempre. Assim é o Amor. Mergulhar ladeira abaixo e subir aos céus. Vertigem da verticalidade (não é um pleonasmo, mas uma hipérbole), de profundis e ascensão, sem precedentes. Via de regra, não há escapatória. Não se vislumbra o fundo, onde dará o azul do céu? Não sei, você não sabe. Nietzsche atentou para a necessidade de asas quando se ama o abismo. Olhe longamente para o Amor e ele olhará para você. Entregue-se. Arrisque. Absurde-se. Acredite.
É o que nos diz O Louco, tonto de amor. Ah, tá, isso aí é paixão, não é amor. Por gentileza deixemos de lado frases prontas, aquilo que se repete por reflexo condicionado. Não há garantias sobre sentimentos, nunca.
Há vertigens horizontais e paradoxos. O Amor é um velho moço. Um moço velho. Uma falha constante na Matrix, um lance de dados, match point. Acontece. Aconteceu comigo com você e com o vizinho. E é único. Muitas vezes único. Várias tampas para panelas variadas ou desvairadas. Com a miragem da flor azul no fundo à superfície d' água.
Inevitável que se pense no abismo como um espelho já que ele olha para você. Experimente gritar e ele lhe responderá: Eco! Eco! Ergo sum. Logo creio que existo quando me vejo em você. Quando não me vejo ou não gosto da imagem, passo batom, mudo a cor dos cabelos, refaço os rastros e o retrato. Caminho pelas planícies lembrando das montanhas até que me acostumo ao horizonte. Ah, que beleza há na superficialidade!
Aprender a superfície. Dissipar neblinas. Alimentar-se do sol cru do inverno. Caminhar lentamente pelos prados noturnos com a lanterna acesa, pirilampos portáteis. O moço velho. O velho moço. Livre do Amor. Livre de Si.
Tão inevitável como o Amor é caminhar do 0 ao 9.
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| New Vision Tarot |
29 de junho de 2011
Curso de Tarot
FUNDAMENTOS (módulo 1)
A Linguagem do Tarot
Organização Estrutural
Bases Históricas
Abordagem Divinatória, Ocultista e Auto Reflexiva
Níveis de Interpretação
Rotas de Leitura/O Caminho do Herói
A Costura dos Arcanos Maiores
Via Seca e Via Úmida, Tétradas Comparativas
Os Arcanos Menores, Naipes e Elementos
Thot Tarot (Aleister Crowley), Universal Waite e Tarot de Marselha
O Ofício de Tarólogo - Postura e Ética
INTERMEDIÁRIO (módulo 2)
Aprenda a ler o Tarot criando as necessárias relações entre as lâminas. Em uma leitura, os significados "fixos" de uma carta tem o seu sentido alterado em relação aos arcanos que a acompanham. Como decodificar? Como desvelar a história que está posta a sua frente? Como perceber as ligações, os vasos comunicantes entre as imagens? Como exercitar a lógica combinatória? O curso é destinado àqueles que já possuem noções básicas da estruturação e significação dos arcanos maiores e menores.
Prática de Leitura
Aprofundamento nos Arcanos Maiores e Menores
Lógicas Combinatórias
Tiragens Diversas
Análise Numerólogica
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Dia 30 de junho de 2011
Todas as quintas das 20h às 23h
3 horas/ aula por semana
12 horas/aula por mês
Valor mensal de 280 reais
Duração de 4 meses
O curso será na Rua Antonio Contin, 340
Cajuru
Curitiba-PR
Mais informações zoedecamaris@gmail.com
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