13 de setembro de 2005

Cupido e Psyche





O Amor está ligado à Beleza. Quando observei Cupido e Psyche de Rodin no Museu de Arte Moderna tudo se tornou uno e volátil ao mesmo tempo - ele e ela que eram um só. E belos, por serem dois. O corpo traduziu o que acometia à alma - pequenas borboletas elétricas brotando na pele. Era pedra, mas era pele. Não senti frio, mas era mármore. Era liso, mas vagueava contornos. Era água. E fundo, muito fundo. Não era azul nem era vermelho. Era lágrima mas não era triste. Não mais uma tradução da Beleza mas a face viva do Amor. Ver seu rosto. Puro. Quente. Ao meu lado.

De verdade.

Sim, é possível ver o Amor além de senti-lo. Psiquê foi punida não por observá-lo em seu sonho dourado mas por ter infringido uma lei até então desconhecida e sem a qual a Beleza não vive.

A Ética.

Há que existir Ética no Amor.

Se há Estética, há de existir Ética. Pois sem ela, Eros voa. Desprende. Escapa. E a beleza fica só. E o amor se enfeia.

Só há um caminho para o Amor. E as pedrinhas brancas que ladeiam essa estrada são feitas de delicadeza. Deve-se pisar leve. Mas são pedras e não cascas de ovos. É possível pairar sobre elas e depois soltar todo o peso que não se quebrarão. Você será sustentado para ganhar impulso. Acolherão seus pés com sandálias douradas. E será possível brincar. E olhar para as flores. E sentir calor. E conversar com o Bicho Papão. Desabar em carreira, serenar o ritmo. Deitar-se na estrada, dormir. Acordar. Percorrê-la.

Não dá pra amar de qualquer jeito.
Não basta o Amor substantivo sem o verbo que lhe dá Ânimo.
É preciso aprender a conjugar – que se enverede pelos caminhos do Érebo mas que, depois, se faça a luz.

O amor que eu vi, existe. E é Belo. E é Bom.



Hermit's Tarot


Se deito as cartas para mim - coisa rara - fico numa alegria só quando o Dois de Copas aparece, me sinto brindada. Embora diversos autores digam que o arcano funciona numa oitava menor que O Enamorado, me pare que aqui temos uma relação amorosa sem a sombra da encruzilhada que paira sobre o Arcano VI - o danado do Cupido deu um tempo, aquele garoto maroto que aparece nas guinadas do destino. Agora ele é, junto com Psychê, um dos protagonistas do Amor. A transformação de vinho em sangue, da água para o vinho, os processos de intimidade estão em questão. Não é o Ás de Copas a carta onde o Amor explode? Não são dois cálices que traz o Anjo da Temperança?

Zoe
05/10/05

3 comentários:

Anônimo disse...

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José Roberto Monteiro disse...

Lindo texto! Direto e simbólico. Forte e leve.

maria carolina araujo de abreu viana disse...

gostava de saber alguma coisa do porque da situaçao em que me encontro neste momento.pois o meu casamento de a 6 meses para ca tornou-se num inferno.