20 de fevereiro de 2009

Carnaval




Minha idéia de carnaval, um carnaval de sonho, inclui a máscara. Um objeto repleto de significados, beleza e mistério. Oculta para mostrar uma outra coisa. Que pode ser a nossa vontade (verdade?) mais secreta. Com a máscara dá-se vida a uma personagem, alguém que tem "outra" vida. E no carnaval lida-se de perto, bem de pertinho, com o inesperado. O que torna tudo muito excitante.

Bem, isso pra mim que estou longe (e assim desejo permanecer) dos axés & cia, BBBobagens e etc., e tenho uma visão romântica do negócio. Um carnaval em Veneza. Mas pode ser também em outra data e em outro lugar na Itália, num castelo com labirinto, por exemplo. Veste-se a mácara e... Plim! Como "il matto dei tarrochi" o mundo se abre para a fantasia. É O Louco e o 7 de copas. Com todas as colombinas, pierrots, arlequins e polichinelos que habitam o mundo dell' Arte. E aí se sonha acordado. Isso se você estiver com sorte, vai que o destino lhe reserva um olhar "diogomainardiano" embaixo da máscara... Já pensou?

O Tarot e o Carnaval. O mote é O Louco, claro. Ele, o Coringa que se interpõe em qualquer situação, que dança entre entre as cartas e mistura os caminhos. Única imagem que sobreviveu no nosso baralho comum, tamanha força arquetípica. Ele e o Rei. Momo.

O carnaval é um cortejo, assim como a sequência de cartas. Uma procissão profana, o triunfo de situações e alegorias. Rosa Magalhães, você nunca pensou nisso, depois Hans Christian Andersen? O Tarot é um carnaval de figuras, todas as vezes em que se embaralha as cartas e são dispostas, aleatoriamente. O tarólogo é aquele que, mascarado, tira a máscara das imagens. Mascarado sim, porque sua individualidade não importa no momento da leitura. Por isso A Sacerdotisa usa seu véu. Para que possa revelar.

Digressões à parte, um achado: as máscaras que usam cartas de Tarot como elemento decorativo. Encontrei algumas na rede aqui, aqui e aqui. Escolha a sua e divirta-se!







MÁSCARA NEGRA
Zé Keti-Pereira Mattos, 1966

Quanto riso oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da colombina
No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez
Está fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou e te beijou meu amor
Na mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval

2 comentários:

Analuka disse...

Olá, vim conhecer o teu blog após uma visita ao jardim de letras da Célia Musilli. Muito interessante o que escreveste sobre a máscara.
Deixo um abraço alado e o convite para partilhar um pouco de ARTE AZUL lá em meu espaço, se quiseres.

Emanuel disse...

Brinquemos de bonecas... De papel: http://bonecasdepapel.blogspot.com/2012/02/o-arlequim.html