17 de setembro de 2026

Primavera, equilíbrio de luz e sombra

No sul do Brasil, aqui onde moro, é muito frio no início da primavera. Por causa das chuvas frequentes, a umidade soma-se ao ar gelado do inverno e nos maltrata. Quando o sol aparece, com ele vêm as flores e as amoras começam a madurar. Maravilhas, jasmins, ipês amarelos.

Já tenho quatro ninhos, até onde eu sei, ao redor da casa. As rolinhas já estão acomodadas e um sabiá escolheu meu jardim de inverno (é verdade, meio abandonado e, portanto, seguro) para fazer seu ninho sobre um antigo suporte de plantas. Estamos separados por uma porta de vidro com uma cortina muito leve; vou poder acompanhar discretamente a aninhamento dos ovinhos.

Em breve os cheiros vão mudar e os grilos começarão seu canto no fim da tarde. Mas por enquanto, está muito frio, o frio que se enfia nos ossos.

Se a Primavera é o início de tudo, equilíbrio de luz e sombra, o Inverno é a morte. Sem ultrapassar as noites longas, sem deixar ir o que já se foi, não há reinício. E as semanas que antecedem a estação da germinação pedem movimentos de limpeza.

É o tempo de comprar novas vassouras, de limpar atrás dos móveis, de doar o que ainda pode agasalhar alguém. De olhar aquela lista de decisões de Ano Novo que ficou na gaveta pra ver se algo dali ainda faz sentido. E se dá tempo de correr atrás do prejuízo.

Já notaram que tudo começa a se atropelar agora e que ninguém tem tempo pra nada?

É uma estação de correria, de libertação, de respiro profundo. Tempo de desejar novos amores, novos amigos, novas festas, outras paragens. E talvez tudo isso só ganhe forma no calor do verão, mas aí já é outra história.